Sunday, January 16, 2011

“Mind The Gap…


…between the train and the platform.”
Era o sonho da vida dela. Desde miúda que girava o globo e parava-o naquele país, naquela cidade. Um dia, em conversa que à partida seria descontraída, numa hora de almoço como tantas outras, veio a ideia e falaram nisso.
”-Porque não vamos?
-Porque não pode ser. Como é que vamos? Onde ficamos? Assim de repente?
-Sim. Porque não?
-Não é assim tão fácil…
-Então? Marcamos e vamos. É fácil. Não tem complicação nenhuma…”
E a ideia foi cimentando na cabeça dos dois e repetida vezes e vezes sem conta. Deram por eles de hotel e viagem marcados. De ideia passou a realidade.
Pela magia de toda a viagem, pela fantasia, pelo sonho, ela fecha os olhos e regressa ao centro da cidade, entre milhares de pessoas, entre línguas estranhas e o próprio português. É capaz de sentir as mãos dadas, geladas pelo frio, mas que não descolam. Vê os sorrisos bem dispostos, cúmplices e consegue mesmo arrepiar-se com as lembranças dos beijos nas esquinas de grandes igrejas em pedra e as mãos que viajavam por dentro das roupas mesmo dentro do metro, no meio da confusão. O frio da rua contrastava com o calor dos corpos no quarto de hotel, nos restaurantes, nos pubs… O cheiro a comida (principalmente indiana) desaparecia à entrada do hotel onde emanava desejo, cansaço, vontade e sono. Misturas…
4164655_f260Procurou na net por “17 Cherry Tree Lane”, mas tinha ideia (então confirmada) que a morada londrina era fictícia e não passava de um estúdio da Walt Disney. Mary Poppins, o filme (1964), tinha mais do que estúdios e luzes falsas. Enquanto passeavam pelas ruas ela olhava para as nuvens na “esperança” de ver uma Julie Andrews de chapéu de chuva aberto descendo os céus de Londres ou um Dick Van Dyke a dançar sapateado nos telhados. A adrenalina quase lhe corrompia os sentimentos quando se viu em frente a St. Paul’s Cathedral, onde a mulher dava migalhas aos pássaros.
O meridiano 0º000’00”. Greenwich com chuva, nevoeiro e um beijo na linhtumblr_lddg9yGnSN1qezoyno1_400a 0.
Sentia-se o peso da história em cada rua. A Segunda Guerra Mundial tem um peso incalculável e os monumentos em tributo a quem nela perdeu a vida são marcos constantes nas ruas. E sente-se, em cada edifício, o peso das pedras frias, numa tentativa de emendar o erro de 1666 – o Grande Incêndio de Londres.
Respira-se arte, cultura, Shakespeare, Beatles, romantismo.
Ah… Ela abriu os olhos e voltou à realidade. Não podia deixar de sorrir, mais ainda olhando para a mão e recordando Camden Town…
Sentiu-se como o Peter Pan em altos vôos e parando sobre os ponteiros do Big Ben
Música: Beethoven – Moonlight Sonata

5 comments:

Nikita said...

Pekenina,

Que saudades!!


Beijo grande

Pekenina said...

Que bom ver-te por estes lados!!! :) :) saudades de te ver por cá.

Beijo para o trio feliz :)

dermatologistested said...

passei...li o atrasado, vi tempestades e depois bonanças... deixo beijo. :))

Pekenina said...

Ahhh tempestades não, primeiro "mar picado" como costumam dizer e depois "mar azeite" :))

Tenho sentido a tua falta por aqui e por lá...

Beijo ;)

dermatologistested said...

sorrizinho por aqui, beijo com votos de boas marés. :))